Publicado em 25 mar 2026 • por Gizele Oliveira •
AGEMS lidera debate nacional sobre inteligência artificial e clima para fortalecer a regulação diante de novos desafios
Primeira reunião da CTIAClima reúne agências de todo o país e marca início de articulação para uso de IA, inovação e enfrentamento das mudanças climáticas na regulação de serviços públicos
A primeira reunião da Câmara Técnica de Inteligência Artificial, Inovação Tecnológica e Mudanças Climáticas (CTIAClima), coordenada pela Agência Estadual de Regulação de MS (AGEMS) no âmbito da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR), marcou hoje (25) o início de um movimento nacional para reposicionar o papel do regulador diante de transformações tecnológicas e ambientais cada vez mais rápidas. Reunidos em Vitória (ES), representantes de agências de todo o país colocaram em prática uma agenda que trata de como a regulação vai operar em um mundo atravessado por inteligência artificial, inovação acelerada e mudanças climáticas.
Para o diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, o avanço dessas agendas exige uma atuação cada vez mais qualificada e integrada por parte das agências reguladoras.
“O que está em curso é uma mudança na forma de atuar da regulação. Precisamos reduzir a assimetria de informação e fortalecer nossa capacidade de resposta, incorporando ferramentas que já fazem parte da realidade dos setores regulados”, afirmou.
O coordenador da CTIAClima, Matias Gonsales, diretor de Gás, Energia e Mineração (DGE) da AGEMS e também diretor da ABAR, lembrou que as tecnologias estão avançando rapidamente e a regulação não pode ser atropelada por esse movimento.
“De um lado, precisamos compreender e incorporar ferramentas como a inteligência artificial. De outro, responder às transformações provocadas pelas mudanças climáticas nas cidades e nos serviços regulados”. “A regulação precisa entender o que está acontecendo e melhorar a resposta dentro do seu espaço geográfico”, pontuou.
A proposta da nova Câmara Técnica é fomentar discussões qualificadas e, principalmente, construir soluções capazes de reduzir riscos — ambientais, regulatórios e operacionais — envolvendo clima, inovação e IA de forma interligada.
Diagnóstico nacional: dados, colaboração e prioridades
Um primeiro retrato concreto elaborado pela coordenação da CT, com levantamento nacional, mostrou o estágio das agências brasileiras no tema.
Foram 32 contribuições enviadas por 11 agências reguladoras, com compartilhamento de ideias, projetos e experiências. A inovação tecnológica apareceu como principal eixo de projetos e ações, seguida por inteligência artificial e mudanças climáticas.
Conforme Matias, o levantamento mostra não só o interesse crescente, mas também um movimento de abertura, com as agências dispostas a compartilhar seus próprios casos para acelerar o aprendizado coletivo.
“A tecnologia tem que reimaginar a regulação. As empresas estão entrando nesse mercado, usando como instrumento de trabalho, e nós precisamos, no mínimo, entrar nesse mercado para trabalhar de igual para igual”, frisou.
“O que queremos é diminuir a assimetria de informação, estar em paralelo com as concessionárias e trabalhar com o peso dos instrumentos que a regulação tem”.

Novo cenário, IA e aperfeiçoamento regulatório
No painel liderado pela AGEMS com apresentação técnica do especialista em IA da DGE/AGEMS Edenilson Oliveira, uma demonstração de que a transformação já começou.
Iniciativas em desenvolvimento na agência de Mato Grosso do Sul colocam a inteligência artificial como ferramenta aplicada à rotina regulatória. Entre os exemplos, está a construção de um modelo para análise de contribuições em consultas públicas no setor de gás canalizado, onde a união entre a tecnologia e a capacidade humana do profissional responsável está em teste, com a expectativa de ganho de tempo e produtividade.
“O analista continua responsável pela decisão final. A tecnologia entra para qualificar e acelerar o processo”, explicou o especialista.
Outro destaque é o desenvolvimento de soluções internas com apoio de IA para fiscalização de contratos, com monitoramento em campo, organização de tarefas e acompanhamento em tempo real. Operações da Câmara Técnica de Energia no primeiro convênio de fiscalização de um contrato de Parceria Público-Privada de iluminação pública, em Corumbá, é um dos processos que deverão se beneficiar dessa inovação.
Visão nacional, integração e resultados
O painel da CTIAClima contou com a participação do presidente da agência anfitriã, ARSP, Alexandre Ventorim, e do presidente da ABAR, Vinicius Benevides, que reforçou a abrangência do tema para o setor regulatório.

“Estamos falando de algo que deixou de ser tendência e passou a ser uma das pautas mais importantes para a regulação”, afirmou, ao destacar que diversas agências e órgãos federais já utilizam inteligência artificial em suas rotinas. Segundo ele, o uso da IA tende a ampliar significativamente a capacidade de análise, monitoramento e detecção de irregularidades. “O regulador deixa de ser um gestor de processos e passa a ser um orquestrador de inteligência”.
Próximos passos: construção coletiva e agenda contínua
A CTIAClima já tem um plano estruturado para 2026, incluindo reuniões técnicas direcionadas, seleção de projetos e criação de fóruns de discussão. O próximo encontro, previsto para junho, deve trazer a apresentação de casos concretos de diferentes agências.
A proposta é consolidar um ambiente permanente de troca e desenvolvimento conjunto, com foco em soluções aplicáveis.

