Publicado em 22 mar 2026 • por Gizele Oliveira •
O Dia Mundial da Água de 2026 traz um debate fundamental sob o tema “Água e Gênero“. Com o lema “Onde a água flui, a equidade de gênero cresce”, a campanha internacional enfatiza que o acesso à água segura e ao saneamento básico é o alicerce para a dignidade, a saúde e a autonomia das mulheres.
Em Mato Grosso do Sul, essa realidade ganha contornos estatísticos expressivos: os dados do Cadastro Único (CadÚnico) revelam que o rosto da chefia familiar no estado é predominantemente feminino, colocando as mulheres como as principais gestoras desse recurso vital no cotidiano.
De acordo com os registros sociodemográficos do estado, 78% das famílias cadastradas em MS são chefiadas por mulheres, o que representa um contingente de 335.401 responsáveis familiares femininas. Essa concentração de liderança feminina é ainda mais acentuada em municípios como Caarapó, onde 87% dos lares em situação de vulnerabilidade são conduzidos por mulheres, seguida por Sonora e Aparecida do Taboado, ambas com 84% de representatividade feminina na chefia do lar.
Em números absolutos, o protagonismo se destaca em grandes polos como Dourados, com 29.819 mulheres à frente de seus lares, além de Ponta Porã (20.607) e Três Lagoas (20.372).

Essa realidade conecta-se diretamente aos desafios hídricos globais. Mundialmente, as mulheres são as principais responsáveis pela busca e gestão da água em dois terços dos domicílios. Quando o acesso ao saneamento é precário, surge a chamada “crise de tempo”, que retira dessas centenas de milhares de sul-mato-grossenses oportunidades de estudo, trabalho e geração de renda, uma vez que o esforço físico e o tempo gasto para suprir as necessidades básicas do lar recaem sobre elas.
Nesse cenário, a atuação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos (AGEMS) torna-se uma ferramenta estratégica de política pública para as mulheres.
“A Agência tem consolidado ciclos robustos na regulação do saneamento, integrando água, esgoto e resíduos sólidos rumo à universalização. É qualidade de vida para essas famílias, levada por meio da água e de todos os eixos desse serviço público essencial”, comenta o diretor-presidente, Carlos Alberto de Assis.
Ao garantir a continuidade e a qualidade do serviço, a AGEMS devolve tempo e saúde a essas 335 mil chefes de família.
A diretora de Saneamento Básico e Resíduos Sólidos, Iara Marchioretto, lembra que “políticas como a Tarifa Social, que assegura preços justos para famílias vulneráveis, e o monitoramento do Índice de Qualidade da Água (IQA) em 132 localidades de MS, protegem o orçamento doméstico e a saúde preventiva de milhares de crianças e idosos sob o cuidado dessas mulheres”.
O conceito de protagonismo feminino é reforçado pelo encontro “Mulheres que Movem as Águas”, promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que busca ampliar a participação feminina na governança hídrica.
“Mato Grosso do Sul demonstra que as mulheres não são apenas usuárias, mas agentes que estudam, regulam, planejam e lideram as respostas aos desafios complexos do clima e da escassez”, reforça a diretora da AGEMS.
Ao investir na universalização do saneamento e em projetos como o saneamento rural e soluções alternativas, a agência reguladora e o Governo do Estado reconhecem que a água é o recurso que permite que a equidade de gênero floresça em cada município. As mulheres de Mato Grosso do Sul, ao garantirem o fluxo da vida e da saúde nos lares, consolidam-se como as verdadeiras líderes que movem as águas e impulsionam o desenvolvimento sustentável do estado.